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Automação vira atrativo em novos condomínios

Apartamentos de 65m2 com duas vagas na garagem, ampla área de lazer, ótima localização e preparados para automação, diz o anúncio de uma grande construtora em São Paulo. E detalhe: a automação aparece com o mesmo destaque dos outros itens, comprovando que se trata de um diferencial de respeito.

Com o mercado imobiliário repleto de empreendimentos (muitos deles parecidos entre si), a automação residencial vem se tornando a cereja do bolo das construtoras, principalmente na cidade de São Paulo. Torna-se, assim, o apelo que faltava para seduzir novos clientes à procura de soluções mais personalizadas.

O fenômeno é recente e acompanhou o barateamento dos sistemas de automação, cujo preço caiu até 60% nos últimos três anos. “Com a difusão das soluções sem fio, tudo ficou mais simples e intuitivo, dispensando reformas e deixando os preços mais competitivos”, comenta Roberto Oliveira, diretor da Fast Life, divisão criada pela Fast Shop em 2010 para atender a essa área. “Se não fossem essas condições, o sonho de levar a automação para a classe média não seria possível.”

Atualmente, a Fast Life oferece desde a instalação até orientações de uso e suporte pós-venda dos sistemas de automação presentes em empreendimentos de grandes construtoras, como Even, Cyrela e Agre. E nem todos são destinados ao público de altíssimo padrão. “Estamos trabalhando em condomínios paulistas de 50m2 a 60m2, que custam em torno de R$ 350 mil”, afirma Oliveira.

Para explorar esse filão, a Telefônica criou, no final de 2009, o serviço At Home, que também tem como foco principal prestar atendimento às incorporadoras em novos empreendimentos com automação. “Somando São Paulo e Rio de Janeiro, já vendemos cerca de 3.000 projetos através de parcerias firmadas com diferentes construtoras, como Even, Gafisa, Cyrela e Brookfield”, diz Gabriel Domingos, gerente da Telefônica. Assim como na Fast Life, o principal parceiro tecnológico é a Control4, marca distribuída pela Disac.

Os recursos de automação entregues pelas construtoras variam de lançamento para lançamento e levam em conta as características de cada empreendimento. A Even é uma das incorporadoras que mais aposta na automação residencial. “Desde o final de 2009, percebemos que havia uma demanda reprimida de lançamentos imobiliários com recursos de automação”, afirma Ricardo Grimone, diretor-adjunto de incorporação da Even. Atualmente, a empresa está construindo dez empreendimentos desse tipo em São Paulo e está levando o mesmo conceito para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. “Da mesma foram que o ar-condicionado dos carros passou de opcional a item de série, o mesmo vai acontecer com os apartamentos com automação daqui a alguns anos.”

Cuidado com os anúncios

Por trás dos folhetos dos apartamentos com automação existem diferenças que nem sempre saltam aos olhos dos compradores. Muitas vezes, a promessa da automação fica restrita à preparação da infra-estrutura básica (quadros e tubulações) para a instalação futura dos sistemas, mas isso não fica claro nos anúncios dos empreendimentos. Por isso, não deixe de visitar os apartamentos decorados, que são comuns nos lançamentos imobiliários de pequeno e médio porte, para tirar todas as suas dúvidas.

Nos empreendimentos mais recentes, esse cenário está começando a mudar. Quando anunciam unidades com automação, as incorporadoras costumam entregar, pelo menos, uma controladora, capaz de integrar até 12 dispositivos ao sistema. Na lista, podem estar os equipamentos do home theater, as cortinas e o ar-condicionado do living.

Os gastos com a compra e instalação de painéis, controles, cabos, dimmers e acessórios quase sempre ficam por conta dos clientes, que podem dar continuidade ao projeto contratando a mesma empresa selecionada pelo condomínio ou outra de sua preferência. Dá também para turbinar a automação do apartamento, adicionando funções e integrando todas as áreas. Aqui, não existem limites.

Além da controladora, alguns kits de automação previstos pelas incorporadoras adicionam controle remoto inteligente, roteador e os serviços de elaboração do projeto mais instalação, que são realizados por uma empresa parceira. “Trabalhamos com diversos tipos de configurações”, comenta Gabriel Domingos, que atua na divisão At Home, da Telefônica. “Certos projetos incluem central de automação e leitor biométrico na porta de entrada; outros, mais personalizados, trazem até dimmers (para controlar a intensidade das luzes) e painel no living, além da licença para comandar a inteligência do apartamento por um iPad.”

No alto da pirâmide, encontram-se os apartamentos que já vem com um sistema completo de automação. E foi para se diferenciar no mercado que a construtora Porte optou por esse caminho e está tocando dez empreendimentos inteligentes nos bairros do Tatuapé e Jardim Anália Franco, pontos nobres da zona leste de São Paulo.

Em fase de entrega, as 31 unidades do edifício Amedeo Modigliani, localizado no Tatuapé, estão equipadas com controle de acesso e painéis de parede em vários cômodos para comandar luzes, cortinas e ar-condicionado. “Tudo já vem integrado e funcionando: das persianas motorizadas das suítes ao sistema de refrigeração”, comenta Josenei Spinelli, da área de Novas Tecnologias da Porte. O generoso pacote de automação ainda inclui controle remoto inteligente e painel touchscreen fixo à parede do living, que controla a inteligência do apartamento e acessa a internet.

“Houve um grande salto do nosso primeiro empreendimento inteligente com tecnologia cabeada para o Amedeo Modigliani, que utiliza um sistema de automação sem fio, de instalação mais prática”, explica Spinelli. Com menos reformas e cabos, o sistema wireless adotado, da empresa Z-Wave, trouxe outro benefício para a incorporadora, que foi repassado aos moradores: o custo final mais atraente.

Economizando na área comum

Diferente da automação dos apartamentos, que costuma seduzir os clientes quase sempre por conta do conforto e da segurança, o investimento em sistemas inteligentes para as áreas comuns tem outro objetivo: reduzir os custos do condomínio.

Mas de quanto chega a ser essa economia? Para descobrir, José Roberto Muratori, da empresa Marbie Systems e da Aureside(Associação Brasileira de Automação Residencial), realizou um estudo recente para a administradora de condomínios Itambé. “Chegamos à conclusão que o investimento num sistema de automação para a área comum de um empreendimento já pronto de quatro torres com 400 apartamentos se pagaria em menos de dois anos”, diz ele. “Após esse período, o condomínio passaria a economizar 8% ao mês, ou até 15%, em casos de edifícios já preparados para automação.”

Neste estudo, a automação da área comum previa o comando de toda a parte de iluminação com a ajuda de sensores de luminosidade. “O próprio sistema se encarrega de apagar as luzes durante o dia e acender quando escurece”, afirma Muratori. No pacote, também estavam o controle das bombas, a filtragem das piscinas e a irrigação dos jardins. “Com a automação, a economia não se restringe à diminuição na conta de luz. O condomínio também reduz os gastos com a manutenção das lâmpadas, dos geradores e a contratação de profissionais responsáveis por serviços de rotina.” Da portaria, através do monitoramento por câmeras, por exemplo, é possível até acender/apagar as luzes de locais estratégicos, como a sala de jogos ou de ginástica, de acordo com a circulação dos moradores.

Fonte: Home Theater & Casa Digital

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